Vírus verbal

O que disse Bruno Cunha Lima até ‘reconhecer’ gravidade da pandemia

Por Maurílio Júnior
Bruno recebeu Bolsonaro sem máscara em fevereiro e recorreu contra restrições em março; Hoje, Campina Grande sofre com agravamento da pandemia

O agravamento da pandemia da Covid-19 na região de Campina Grande nesta semana preocupou pela primeira vez o prefeito Bruno Cunha Lima (PSD). Nas redes sociais, o gestor escreveu nesta sexta-feira (21) que a cidade deve sofrer semanas difíceis. Mas nem sempre foi assim. Desde janeiro, quando assumiu o mandato, Cunha Lima deu declarações que minimizavam os impactos do vírus na região, como se Campina fosse uma espécie de bolha.

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Em 22 de fevereiro, quando a segunda onda da doença já atingia a Paraíba, Bruno foi ao Twitter para dizer que, “a situação em #Campina permanece #sobcontrole.” Em 6 de março, quando o Município tinha 74% de ocupação dos leitos de UTI, o prefeito deu o primeiro sinal que iria contrariar as medidas restritivas do Estado.

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Conforme já se esperava, a nova classificação dos municípios por bandeiras feita pelo Governo do Estado rebaixou #Campina para a cor laranja, o que, em tese, imputaria à cidade as medidas restritivas adotadas pelo Governo no decreto publicado na última semana”, disse. 

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“Recebemos pacientes de outras cidades com muito orgulho. Como disse, estamos de portas abertas para ajudar. Essa é uma marca registrada das pessoas de #Campina. Mas, sinceramente, não podemos ser penalizados por estamos ajudando nossos irmãos de outras cidades. Qual o sentido?”, contestou.

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Repito! Qual o sentido de rebaixar #Campina de bandeira pelo fato de nossos leitos estarem ocupados por pacientes que vieram ser socorridos na cidade? Se quiserem nos ajudar, ajudem a fiscalizar ainda mais o comércio, os restaurantes, os campos de futebol, os bares, as igrejas”, persistiu Bruno. 

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“Campina está numa situação diferenciada porque fazemos nossa parte com planejamento e eficiência.”, exclamou.

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Pelo Twitter, em 12 de março, quando Campinha tinha 77% de ocupação de UTI, Bruno chegou a desafiar o comando da Polícia Militar que fazia cumprir o toque de recolher, medida adotada pelo Estado para frear a transmissão da Covid-19 e avisou que recorreria à Justiça.

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“Algumas informações chegaram dando conta de que um dos comandantes da Polícia Militar em Campina teria afirmado que iria cumprir toque de recolher na cidade. Quero alertá-lo para o fato de que a cidade tem decreto próprio e que não adota esse tipo de medida #autoritária.”

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“(…) Sugiro o senhor não #desrespeitar dias de diálogo e interação entre a PMCG, as entidades de representação da cidade e os Ministérios Públicos. Além do mais, caso a cidade seja desrespeitada, recorreremos à Justiça, buscando a responsabilização dos envolvidos.”, continuou. 

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No dia 13 de março, Bruno escreveu que o “o #trabalho para garantir a #liberdade das pessoas da cidade. Liberdade de ir e vir, de cultuar a #Deus, de trabalhar honestamente”, continuaria. “No estado de direito e até quando este perdurar, como todos sabem, está assegurado o direito ao recurso. Vamos recorrer!”. 

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Nesta sexta (21/05), Bruno Cunha Lima respondeu a um seguidor no Instagram que nunca recorreu das restrições do Estado, mas sim o governo estadual contra o seu decreto.

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Voltando ao dia 13 de março, Bruno também foi ao Twitter contestar a decisão do juiz Alex Muniz Barreto, da 1ª Vara de Fazenda Pública de Campina Grande, que ao negar o recurso do Município, ainda afirmou que o prefeito era um “mau exemplo” no combate à pandemia.

“Confesso que recebi com surpresa a decisão do excelentíssimo juiz Alex Muniz. Por respeito ao Judiciário, decidi não tecer comentários quanto à linguagem, ou melhor, ao “excesso de linguagem” usado pelo magistrado, seja na sua decisão, seja nas redes sociais.”

Às vésperas de publicar um novo decreto, em 6 de abril, quando Campina Grande tinha 71% de ocupação de leitos de UTI, o prefeito reafirmou a posição que, “já defendia há mais de um mês: LIBERDADE e RESPONSABILIDADE.”

Em 27 de março, Bruno gravou um vídeo no Hospital Municipal Pedro I falando que a unidade distribuía  medicamentos como azitromicina, ivermectina e predsim, que compõem o chamado “kit Covid”, sem nenhuma eficácia contra a Covid-19. Aliás, o prefeito sempre deixou claro que o Município adota o famigerado “tratamento precoce”.

Voltando a fevereiro, Bruno Cunha Lima recebeu sem máscara o presidente da República, Jair Bolsonaro, no Aeroporto João Suassuna. O prefeito estava acompanhado do ex-prefeito Romero Rodrigues (PSD), que também não usava máscara, a exemplo de Bolsonaro.

Foto: Codecom/CG

Na última quarta (18), o líder de Bruno Cunha Lima na Câmara Municipal, vereador Alexandre do Sindicato (PSD), disse na tribuna da Casa Legislativa que trocaria a vacina por ivermectina e se recusou a ser testado para Covid-19 por uma equipe de Saúde do Município.

Pelas redes sociais, nesta sexta-feira, 21 de maio, Bruno Cunha Lima, enfim, reconheceu pela primeira vez, de forma mais enfática, a gravidade da pandemia em Campina Grande, dois dias depois do município registrar 99% de ocupação dos leitos de enfermarias e de pacientes serem transferidos para João Pessoa.

“As próximas semanas tendem a ser as mais difíceis vividas por Campina e pela Paraíba”, alertou. “Contar com a ajuda e com o comprometimento de cada um vai ser fundamental pra gente atravessar este momento”, apelou.

Bruno também justificou o decreto publicado nesta sexta (21) que, em grande parte, endossa a publicação feita pelo Governo do Estado na última terça (18). Em março, no pico da segunda onda da Covid-19, o prefeito chegou a recorrer das restrições do Estado.

“Ao longo de um ano e dois meses de pandemia, nos instantes em que foi possível termos decretos e medidas menos restritivas, nós tivemos. Nos instantes em que medidas mais duras foram necessárias, elas também foram tomadas, por mais amargas que sejam”.

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