PSC também queimou a língua

Por Maurílio Júnior

Sustentar um discurso, eis uma missão difícil de ser cumprida pela classe política. Quase todos queimam a própria língua. Nem os mais preparados intelectualmente escapam. É o caso do deputado federal Marcondes Gadelha, presidente do PSC.

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Não faz muito tempo, em 2016, que Gadelha defendeu a pluralidade na política. Temia que um mesmo grupo pudesse assumir as duas maiores máquinas do Estado – governo e prefeitura de João Pessoa. Para tanto, o PSC declarou apoio a reeleição do prefeito Luciano Cartaxo contra a candidata do PSB, Cida Ramos.

“Se alguém por infelicidade vier a concentrar os dois maiores poderes nas mãos, o governo do Estado e a prefeitura, a volúpia pelo poder será tão grande que essa pessoa vai acabar querendo submeter os outros poderes (Legislativo e Judiciário), a imprensa, as associações de classe, os sindicatos, até mesmo a cultura e nada aconteceria na Paraíba, sem que se “beijasse a mão ou se ajoelhar diante do tiranete de plantão””, pregou a época.

Dois anos depois, o PSC apoia a candidatura de Lucélio Cartaxo (PV) – irmão do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo – ao governo do Estado.

Marcondes Gadelha não vê temor.

“Não haverá uma acumulação de poder, haverá uma transferência de um projeto administrativo. A prefeitura tem mais dois anos pela frente, de modo que não haverá essa acumulação que tanto tememos”.

Uma resposta quase nada convincente.

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